Casca de romã, peixes e até cafeína blindam o cérebro contra a doença
POR
CAROLINA GONÇALVES
Os dados do IBGE apenas comprovam o que já podemos ver nas ruas: o número de idosos no Brasil só aumenta. De acordo com o instituto, a população acima de 65 anos representa 7,4% dos brasileiros, e esse número tende a dobrar até 2025. E conforme a expectativa de vida aumenta, maiores são as chances dessa pessoa desenvolver doenças relacionadas à demência, dentre elas o Alzheimer. Isso acontece porque os neurônios vão se degenerando naturalmente conforme a idade. A perda da função cerebral pode afetar a memória, o raciocínio, a linguagem, o juízo e o comportamento. No entanto, é possível retardar essa degeneração dos neurônios com a adoção de hábitos saudáveis, como dormir bem, praticar atividades físicas e ter cuidados especiais com a alimentação. Confira como a dieta pode ajudar na prevenção do Alzheimer.
Casca de romã
Uma pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
(Esalq), da Universidade de São Paulo, em Piracicaba, descobriu que a casca da
romã pode prevenir o surgimento do Alzheimer. Os cientistas identificaram uma
enzina na fruta que tem atuação específica na prevenção da doença, além dela
possuir uma elevada quantidade de antioxidantes.
"Esse nutriente é conhecido por combater os radicais livres, ação que
ajuda a diminuir a perda degenerativa, protegendo contra o Alzheimer e outras
demências", afirma a nutricionista Érika Suiter, do Hospital Sírio
Libanês. É importante ressaltar que apenas o consumo contínuo da casca de romã
pode trazer esses benefícios, já que ele são percebidos em longo prazo. Os
cientistas estão estudando uma forma de transformar a casca de romã em pó, para
colocá-la em cápsulas, mas você pode consumi-la na forma de suco, por exemplo.
Já foi comprovado que a cafeína age como protetora do organismo contra o
Alzheimer e outras demências. A explicação para o feito ainda não é clara: por
enquanto, a ação antioxidante e anti-inflamatória da substância são os pontos
de destaque para a prevenção. "O café, além de cafeína, também contém boas
doses de ácido clorogênico, substância de conhecida ação anti-inflamatória,
também encontrada em vegetais amarelos ou avermelhados", afirma o
nutrólogo Roberto Navarro, da Associação Brasileira de Nutrologia. Um grupo de
pesquisadores das universidades do Sul da Flórida e de Miami, nos Estados
Unidos, demonstrou que consumir cafeína pode ajudar a reduzir as chances de
idosos com comprometimento cognitivo leve desenvolverem doença de Alzheimer. Os
resultados, que foram publicados no periódico Journal of Alzheimer's
Disease, mostraram que beber ao menos três xícaras de café é capaz de proteger
o cérebro do declínio cognitivo. Além do café, outras fontes de cafeína são os
chás preto e mate, o chocolate e o guaraná.
Um estudo feito na Escola de Medicina na Universidade de Pittsburgh
(EUA) indicou que idosos que comem peixe assado ou grelhado pelo menos uma vez
por semana protegem o cérebro contra doenças. Os pesquisadores descobriram que
as células do cérebro responsáveis pela memória morriam mais rápido entre as
pessoas que comiam pouco peixe, e 47%
delas desenvolveram a doença de Alzheimer cinco anos após os exames. Por outro
lado, apenas 3% das pessoas que comiam peixe de uma a quatro vezes por semana
desenvolveram Alzheimer ou apresentaram comprometimento leve da memória. O
responsável por essa proteção é o ômega 3, uma ácido graxo que faz parte da
estrutura da matéria cinzenta do cérebro. "Ele promove a comunicação entre
as células nervosas, mantendo-as leves e funcionais, ajudando o cérebro a
monitorar o humor, a memória e a concentração", explica a nutricionista
Érika.
Ter uma dieta rica em oleaginosas (como castanhas,
nozes e amêndoas) diminui significativamente as chances de uma pessoa
desenvolver o Alzheimer, afirma um estudo feito pela Universidade Columbia
(EUA). Essa conclusão foi tirada da análise das dietas de 2.148 adultos
americanos com mais de 65 anos, durante quatro anos. De acordo com a
nutricionista Érika, esses alimentos são ricos em selênio, um mineral cuja
deficiência pode causar distúrbios na atividade dos neurotransmissores -
substâncias produzidas pelo neurônio que tem como função levar informações de
uma célula a outra. "O selênio ajuda substâncias como a serotonina, a
dopamina e a acetilcolina, que são fundamentais para a transmissão de mensagens
entre os neurônios e o bom funcionamento cerebral", diz Érika. Outras
fontes de selênio são grãos, alho, carne, frutos do mar e abacate. Uma unidade
ao dia de castanha do pará já fornece a quantidade diária recomendada de 350mg
de selênio para trazer benefícios ao organismo.
Comer uma ou duas porções por dia de amoras pretas, ameixas, uvas ou
mirtilos pode ajudar no combate ao Alzheimer, Parkinson e até câncer. A
conclusão faz parte de um estudo feito na Universidade de Manchester, no Reino
Unido, e publicado no periódico Archives of Toxicology. De acordo com os
cientistas, o responsável por esse benefício é o polifenol, um poderoso
antioxidante. Outro trabalho, desenvolvido pelo Salk Institute for
Biological Studies, na Califórnia (EUA), constatou que um flavonoide chamado
fisetina, presente nas frutas vermelhas, estimula a área do cérebro responsável
pela memória de longo prazo e o protege de doenças degenerativas como o
Alzheimer e a esclerose múltipla. "Essa substância
é capaz de desencadear um processo que permite que as memórias sejam
armazenadas no cérebro com mais facilidade e que o cérebro estabeleça conexões
mais fortes entre os neurônios", diz o nutrólogo Roberto. O especialista
afirma que o morango é a fruta vermelha que mais contém fisetina.
Velho amigo da saúde, o azeite de oliva extra-virgem é comumente
relacionado à prevenção de doenças cardiovasculares.
Entretanto, uma pesquisa feita pela Universidade de Frankfurt, na Alemanha,
descobriu que existe um composto presente no azeite chamado
hidroxitirosol é capaz de impedir a degeneração dos neurônios, retardando o
processo de envelhecimento cerebral. "O azeite também é rico em vitamina E, um antioxidante que atua na
reconstrução das fibras nervosas", explica o nutrólogo Roberto. Para obter
o benefício, consuma o azeite na forma in natura para regar saladas ou a
comida. Quando é submetido a altas temperaturas, boa parte das propriedades do
óleo são desperdiçadas.
Uma revisão de 143 estudos, que contou ao todo com a participação de 365
mil pessoas de 19 países, constatou que o consumo moderado de álcool ajuda na
prevenção do Alzheimer. O trabalho foi feito pela Loyola University, nos
Estados Unidos, e publicado no periódico Neuropsychiatric Disease and
Treatment. De acordo com os cientistas, quem consumia álcool moderadamente
tinha 23% menos chances de desenvolver sinais de perda de memória causados pelo
Alzheimer. No entanto, pessoas que bebiam mais do que duas doses por dia tinham
mais chances de ter perda de memória.
De acordo com a pesquisa, o vinho era a bebida que mais proporcionou benefícios aos participantes. ?A bebida auxiliam na proteção de doenças degenerativa por conter ação antioxidante e melhorar a circulação cerebral?, diz o nutrólogo Roberto. A quantidade recomendada é de uma dose de bebida alcoólica por dia para as mulheres e duas para os homens - o equivalente a 140ml de vinho ou 340ml de cerveja. "Essas quantidades, porém, pressupõem que a pessoa tem outros hábitos saudáveis, como uma dieta adequada e a prática de exercícios físicos."
De acordo com a pesquisa, o vinho era a bebida que mais proporcionou benefícios aos participantes. ?A bebida auxiliam na proteção de doenças degenerativa por conter ação antioxidante e melhorar a circulação cerebral?, diz o nutrólogo Roberto. A quantidade recomendada é de uma dose de bebida alcoólica por dia para as mulheres e duas para os homens - o equivalente a 140ml de vinho ou 340ml de cerveja. "Essas quantidades, porém, pressupõem que a pessoa tem outros hábitos saudáveis, como uma dieta adequada e a prática de exercícios físicos."
Cúrcuma
Um estudo realizado pela Universidade da Califórnia, nos EUA, sugere que
comer curcumina uma ou duas vezes por semana pode ajudar na prevenção do
Alzheimer. A curcumina é um dos componentes do cúrcuma, ingrediente que dá a
cor amarelada ao curry indiano. "O tempero possui efeito anti-inflamatório
e antioxidante, ajudando a prevenir o envelhecimento e eliminar as estruturas
no cérebro associadas ao Alzheimer", afirma Érika Suiter. 





